quinta-feira, 3 de maio de 2012
Pesquisadores debatem sobre os efeitos do acesso constante à internet Jovens registram o desafio e a sensação de passar três dias sem conexão. Para alguns especialistas, o uso da internet pode ser nocivo ao cérebro. Jovens passaram pelo desafio de ficarem três dias inteiros sem conexão, no computador, ou no celular. A pedido do Jornal da Globo, eles registraram o que sentiam. (Veja trechos dos depoimentos na reportagem ao lado). Apesar das dificuldades, os dois jovens tiveram força e persistência e conseguiram ficar três dias longe da internet. “Eu tava me sentindo meio desconfortável, mas foi mais fácil do que eu imaginei que seria”, diz Gabriel dos Santos Pinheiro, estudante de arquitetura. “Se você não está conectado direto, parece que você está desatualizado. Parece que as coisas estão andando e você ta parado no tempo. Jessica Couto dos Anjos, estudante de desenho industrial. No caso de Gabriel e Jessica foi tudo uma grande brincadeira, mas Cristiano Nabuco, coordenador do programa de dependentes de internet do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo, alerta que o uso exagerado da rede pode virar algo sério. “Nós chamamos de uma dependência comportamental, a pessoa fica tão dependente daquela estrutura, que na medida em que aquilo falta, ela se sente absolutamente desprotegida”, declara. saiba mais Faça um teste que mede seu grau de dependência da internet Pode virar vício. Quem passa o dia conectado treina e acostuma o cérebro a um excesso de estímulos. Enquanto pesquisa, conversa com um grupo em um chat, recebe notificações de um amigo na rede social, responde a um email, joga um novo game, assiste a um vídeo, ouve música... Ficar sem internet é como cair em um vazio. Depressão, irritação, falta ou excesso de sono. Os sintomas podem ser muito semelhantes aos da síndrome de abstinência de álcool e outras drogas. Como se livrar disso? “Quanto mais informação o seu cérebro recebe, mais estressado ele se torna. Ou seja, mais não significa melhor. Então, o que nós propomos muitas vezes é que essas pessoas aprendam a dosar o uso”, diz o especialista. E o que acontece com a memória, a inteligência, quando usamos muito a internet? O escritor Nicholas Carr despertou uma enorme polêmica nos Estados Unidos ao escrever um livro criticando a geração digital por causa do uso excessivo da internet. O escritor defende a teoria de que a internet influencia o nosso jeito de pensar, e que passamos a buscar o máximo de informação no menor tempo possível, e que isso torna tudo muito superficial. “Quando estamos conectados com essa incrivelmente rica fonte de informações, nós sofremos constantemente de transbordamento cognitivo. Isso provoca pequenos curtos circuitos e acabamos esquecendo muitas coisas rapidamente, e não fazemos as conexões fundamentais para enriquecer nosso pensamento conceitual”, declara. Do grupo que defende que a internet não prejudica a memória, a doutora Betsy Sparrow, da Universidade Columbia, em Nova York, aplicou testes em grupos de voluntários. Ela descobriu que as pessoas que usam habitualmente os sistemas de busca na internet passaram a não armazenar na memória a informação que sabem que podem encontrar no mundo virtual. “Nossos cérebros encontraram um jeito muito sofisticado de expandir nossa memória e nossa inteligência usando a internet como uma extensão. Uma possibilidade é estarmos ainda mais criativos, já que não estamos usando a nossa memória para guardar todos aqueles dados específicos, datas, nomes, enfim. Estamos usando a memória pra novas situações", defende.
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